Aloha Spirit Elas
Aloha Spirit

Aloha Spirit Elas no Outubro Rosa em Santos

Por Roberto Melchior: Elas chegaram com os primeiros raios de sol iluminando o dia, algumas vinham de longe, dos mais diferentes pontos do Brasil, outras, precisaram apenas deslizar da cama e atravessar a rua, ou descer a serra em direção ao mar.

As roupas multicoloridas, a diversidade no olhar, nos corpos, nos jeitos, na fala, indicavam que uma amostra de um Brasil, multifascetado, por uma história rica de miscigenação racial, estava ali representada nas areias de uma praia de Santos para participar de um evento que unia a Canoa Havaiana, o Stand Up Paddle e a participação da mulher na luta contra o câncer.

Após o sucesso das 3 edições do Circuito Aloha Spirit 2017 com etapas em Ilhabela, Cabo Frio e Salvador, o Aloha Spirit Elas, evento voltado apenas para mulheres, foi como um reencontro entre amigas que compartilham a paixão desenfreada pelas coisas do mar e pela Canoa Havaiana e o Stand Up Paddle em particular.

 

Aloha Spirit Elas

Entre a primeira colocada na prova dos 3 km de Stand Up, Adriana Pereira Dias (SUPORTE) de 41 anos e a segunda colocada, a pequena Nicole Moraes Borges (CASA BRANCA SCHOOL/RICH SPORTS/MANAKAI), houve uma diferença de apenas 2 minutos e 23 segundos.

Nos 30 anos que separam a experiência de vida da Adriana Pereira Dias e a pequena Nicole Moraes Borges de 11 anos, as mulheres derrubaram barreiras, desconstruíram mitos e paradigmas estabelecidos, ocuparam o mercado de trabalho, fizeram valer a sua vontade e lutaram contra a discriminação e um discurso machista que de forma equivocada e retrógada, buscava estabelecer limites pré-determinados e definidos à mulher.

Aloha Spirit Elas

Aloha Spirit Elas

Em algum momento da história, reflexo de uma sociedade tipicamente machista, foi dito às mulheres que estas deveriam viver à sombra do homem. Esta falsa idéia de submissão atravessou os séculos, fronteiras, culturas, mas, felizmente, vem sendo desconstruída, desde o instante em que um personagem anônimo, homem ou mulher, pouco importa, se deu conta, de que as mulheres eram o próprio “SOL”, seres iluminados e que os direitos deveriam ser igualados aos dos homens.

Entre as primeiras mulheres que lutaram contra o processo de discriminação em nossa sociedade e que exigiram o direito ao voto ( a Nova Zelândia, em 1893, e a Finlândia, em 1906, foram os primeiros países a reconhecer o direito das mulheres ao voto), que lutaram por melhores condições de trabalho, que exigiram o direito à amamentação e a horas de folga e as primeiras atletas que se debelaram contra o fato de que mulheres não poderiam competir em alguns esportes, há sempre a busca por aquilo que há de mais significativo no direito de se expressar, se manifestar, ocupar os espaços possíveis e exercitar a cidadania e a liberdade de expressão nas suas representações, sejam elas quais forem, como única forma possível de convívio social.

Somos movidos por sonhos e por aquilo em que acreditamos, quando a norte americana Kathrine Switzer, a primeira mulher a correr a maratona de Boston em 1967 decidiu se inscrever na prova, simplesmente não havia inscrição para mulheres, pois estas eram proibidas de participar, pois, se acreditava que estas não tinham condições físicas para suportar tal esforço.

Ao se inscrever como K. V. Switzer, a organização não teve como saber que se tratava de uma mulher e efetuou sua inscrição com o número 261. Durante a maratona foi confrontada por um dos diretores da prova, empurrada por um corredor, criticada por muitos, mas, seguiu adiante, concluiu a prova e sem que pudesse prever, se tornaria um ícone na luta das mulheres contra a discriminação.

“ Eu não estava tentando me esconder de maneira nenhuma, pelo contrário, eu estava tão orgulhosa de mim mesma que usava até batom” – Kathrine Switzer

Entre aquela manhã fria de domingo na Maratona de Boston em 1967 e a manhã de sol nas areias da praia de Santos naquele 21 de outubro de 2017, 50 anos se passaram, mas o orgulho sobre o qual Kathrine Switzer falava, estava ali, presente no olhar de cada competidora e era um orgulho compartilhado, indisfarçável, contagiante, pulsante e que impregnava o ar e a atmosfera de uma deliciosa sensação de felicidade.

O mesmo orgulho que contagiou Kathrine Switzer, iluminava o rosto de Katherine Ileck que chegou sorrindo, iluminando o dia, após uma disputa acirrada nos 10 km da Canoa Havaiana.

Katherine, a voga da equipe Kimi, composta pelas atletas Lorena Kruger, Sara dos Santos, Luciana Furlan, Vitória Affonso e Luciana Uechi Martins, campeãs na categoria Master, assim definiu a participação da equipe na competição:

“ Remamos em sintonia, estávamos tranquilas, relaxadas e creio que isto contribuiu para o nosso desempenho. Estar em Santos, sair de casa e vir para a competição, reencontrar amigos e fazer aquilo que gostamos, é uma forma de saudar o dia, o esporte e a vida”.

A equipe em preparação para o Sul-Americano de Canoa Havaiana no mês de novembro no Peru, segue a rotina de treinos e a busca de patrocínio e apoio para custear as despesas na competição.

A jovem Naomi Costa de 23 anos, filha da Maria de Fatima e do Wandiyk Ribeiro, caiçaras de São Vicente, voltou a competir e sagrou-se campeã nas provas de natação 1.500 metros e OC1. Afastada das competições por conta dos estudos, Naomi estava exultante e já fazendo planos para as competições de 2018.

O Aloha Spirit Elas teve provas de Canoa Havaiana, Stand Up Paddle, Kaora, além de palestras e Yoga.
Os resultados podem ser conferidos em http://www.alohaspirit.com.br/wp/index.php/santoselas/

Apoio no Aloha Spirit Elas : Cacau Show; Booking. com; Onodera; Riachuelo. Colaboração: Prefeitura de Santos
Realização: Associação Magna de Desportes e Lei Paulista de Incentivo ao Esporte

 

 

Roberto Melchior é Fotógrafo, professor da UNIMES, da UNIBR e da Prefeitura de Cubatão, atleta, cicloturista e autor dos livros: “ Id e eu no Caminho de Santiago”, “ Don Juan Pós-Moderno”, “ Coisas de Criança”, “ Pelos Caminhos do Brasil” .

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